sexta-feira, 18 de março de 2011

Sai de cima do muro.






Ao abrir os olhos, Lucas percebeu que estava em uma sala de espera. Uma sala em que nunca esteve. Na Sala, algumas cadeiras vazias, e um silêncio que só não era total por causa de um pequeno barulho na sala ao lado.

Ele tenta entender o que está acontecendo, ele começa a vistoriar a sala somente com os olhos, permanecendo sentado na cadeira. Ao olhar um dos cantos da Sala, Lucas vê um daqueles painéis de senhas, que existe em bancos, e consultórios médicos, o painel marcava o número: “001”.

Ainda sem entender nada do que estava acontecendo, o jovem vê no seu colo uma senha, que provavelmente seria para aguardar o seu número no painel. Sua senha era a número: “002”.

Após longos 10 minutos aguardando ser chamado, e nada acontecer, Lucas se levanta para procurar alguém que possa lhe dar uma boa explicação. Neste mesmo momento, um senhor passa pela sala.
Aparentando ter mais ou menos uns 60 anos, de barbas e cabelos brancos, o senhor ia entrando por uma porta e saindo por outra quando Lucas puxa conversa:

- “Hã... boa tarde senhor. Você poderia me ajudar?”
- “Claro, meu nome é Pedro. E você deve ser o Lucas né?” – Diz o Senhor.
- “Sim, mas como o senhor sabe o meu nome? Você poderia me explicar onde estou? O que eu estou fazendo aqui?”
- “Claro! É muito simples... você morreu!”
- “O quê?” – Diz Lucas surpreso com o que ouviu.
- “Isso mesmo Lucas, você morreu!” – continuou Pedro – “De acordo com as informações na sua ficha, atropelamento. Você estava de bicicleta, um carro desgovernado passou no farol vermelho e te mandou pra cá!”
- “Mas não pode ser...”
- “Mas foi Lucas... a vontade do Senhor, ninguém aqui discute.”

Lucas estava meio atordoado, não conseguia compreender. Ele se lembrava de estar andando de bicicleta, e de ver um celta prata ultrapassando o farol vermelho.

- “Mas Pedro, e essa sala? Essa Senha? O que que é isso aqui?” – Pergunta Lucas.
- “Agora é a hora que você vai prestar as suas contas com Jesus, talvez demore um pouco, porque ele anda muito atarefado, mas logo logo ele te chama...”

Pedro saiu da sala, e Lucas ficou pensando sobre a frase que terá que prestar contas para Jesus. Ficou mais aliviado, afinal ele não lembrava nada que tenha feito que o desabonasse. Sempre foi uma pessoa tranquila, não usava drogas, não roubava. Sentou, e esperou. Esperou... e esperou!

Parecia que ele estava lá há umas 4 horas, mas não tinha certeza já que na sala não tinha um relógio. E logo ele pensou: “Se eu estou no céu, não é que aqui não tem relógio, em nenhum lugar tem”. E deu risada sozinho dos seus pensamentos.
Mais um tempo sentado, e nada. Ele já estava muito impaciente, quando foi na sala falar com Pedro:

- “Pedro, acho que Jesus esqueceu de mim. Estou lá aguardando há muito tempo e ele não me chama”.
- “Calma Lucas.” – disse Pedro – “É que Jesus está muito ocupado. O Coitado está sem tempo pra nada... mas aguarde um pouquinho que ele já te chamará”.
- “Tem certeza?”
- “Pra que a pressa? Você tem toda a eternidade...” – confirmou Pedro.

Toda a eternidade. Lucas ficou feliz ao saber que terá toda a eternidade. Que não precisará mais se preocupar com doenças, pessoas más, trabalhar. É toda a eternidade descansando, e curtindo os amigos e parentes que já estavam por ali.

Mas o tempo passou, e passou novamente. E nada de chamarem Lucas. Irritado, novamente foi falar com Pedro:

- “Pedro, alguma coisa está errada e...”
- “Lucas agora não dá!” – disse Pedro interrompendo o rapaz – “Jesus está com um pepino grande pra resolver... aguarde só mais um pouquinho, por favor?”

Lucas voltou quieto para seu lugar, pensando qual seria esse “pepino grande” que Jesus teria pra resolver. “Deve ser alguém importante na Terra que morreu também”, pensou Lucas.

Aproximadamente umas 2 horas depois (lembrando que não tinha relógio lá...), Lucas estava possesso, louco da vida de tanto esperar. Nem o mais lerdo dos bancos, o pior de todos aqueles atendentes de telemarketing que te enrolam quando você vai cancelar uma assinatura de algum serviço, o tinham tratado daquele jeito.

Levantou-se decidido, e foi ao encontro de Pedro:
- “Pedro, não dá mais!” – disse Lucas – “Se bobear eu estou aqui há uns dois dias. Desde a hora que cheguei sou o próximo da fila, e nada de Jesus me chamar.”
- “Desculpe Lucas, é que você veio em um momento ruim. Jesus anda tão sem tempo...”
- “Como sem tempo?” – Pergunta Lucas – “Ele é Jesus oras!! Ele não olha por todos?”
- “Sim, mas é que tem uma pessoa aqui que está querendo...”
- “Que pessoa?” – disse Lucas interrompendo Pedro – “Só tem nós dois aqui. Aliás, nem Jesus eu vi ainda. Cadê ele?”
- “Lucas, tenha paciência, Jesus está ocupado.”
- “Como ocupado? Não tem nada aqui. Está tudo uma paz! Provavelmente Ele deve estar dando preferência pra pecadores não é? Eu que sempre fui um cara leal, um cara que nunca deu problema, ele esquece.”
- “Não seja injusto Lucas!” – Diz Pedro com uma voz brava, de quem estava começando a ficar irritado com a situação – “Você não sabe o que esta falando!”
- “Como não?” – Retruca o rapaz já aumentando os ânimos – “Me diz qual meu pecado? O que eu fiz? Nada! Eu já poderia estar no Paraíso curtindo a vida eterna, mas estou sendo enrolado aqui. Enquanto ele dá preferência pra pecadores.”

Pedro respira fundo pra não perder a paciência. Ajeita sua barba e seus cabelos brancos, respira fundo mais uma vez, e volta a falar:

- “Lucas, vou te provar que você está sendo injusto. Mesmo que Jesus esteja agora com um pecador, o que não está, provavelmente esse pecador antes de sua morte deve ter se arrependido das coisas que fez, e pedido perdão para Deus.”
- “Tudo bem” – disse Lucas, também mais calmo – “Mas eu não tive tempo de me arrepender, fui atropelado segundo consta na sua ficha. E também nem tenho do que me arrepender, não que eu lembre”.

Pedro olhou nos olhos de Lucas e perguntou:
- “Tem Certeza”?
- “Sim, tenho.” – afirmou Lucas.
- “Lucas... Olhando sua ficha, realmente você não tem nenhum pecado. Pecado Grave digamos assim. O que é muito bom. Porém você não tem nada que o abone.”
Lucas intrigado pergunta a Pedro:
-“Como assim nada que me Abone”?
-“Veja Lucas...” – Diz Pedro sentando em sua cadeira e mexendo em alguns papéis em sua mesa – “Realmente, você não tem nenhum pecado grave. Mas você também não fez nada na Terra, que fosse em nome de Jesus.”
-“Não é possível isso!” – Diz Lucas.
-“Vejamos então, uma vez um amigo seu te chamou pra ajudar em um projeto em que era pra levar comida pra pessoas carentes. E qual foi sua resposta Lucas?”
-“Esse final de semana estou muito ocupado...” – Diz Lucas com uma voz de espanto.
Pedro foi mais além:
-“Uma vez um parente seu te ligou, pra chamá-lo pra ajudar na paróquia da sua igreja. E qual foi a resposta?”
-“Não tenho tempo!” – Diz Lucas gaguejando – “Mas eu sempre tive idéias pra ajudar na igreja, sempre contribui...”
Pedro olha pros papéis em sua mesa, volta a olhar pra Lucas e diz:
-“É verdade, está escrito aqui que você era uma fábrica de idéias para levar o nome de Jesus para as pessoas. Quais desses projetos você colocou em prática?”
Lucas olha pro chão, decepcionado e diz:
-“Nenhum...”
-“E porque não colocou nenhum em prática?” – Retruca Pedro.
-“Não tinha tempo.” – Responde Lucas quase chorando e já com a voz embargada de arrependimento.
-“E porque você parou de ir pra Missa Lucas?”
-“Ah Pedro...” – Responde Lucas já com ar de quem teria razão na resposta
–“Poxa eu trabalhava a semana inteira, o dia todo, várias horas extras.Domingo queria dormir até tarde né. Meu corpo precisava descansar.”
-“Ok. Tudo bem.” – Responde Pedro – “Mas aqui diz, que você acordava cedo de domingo pra jogar bola, pra sair com amigos, pra namorar.”

Lucas ficou quieto, entendeu o que Pedro queria dizer. Ele teve tempo no mundo pra fazer o que queria, e quando queria. Mas quando era pra falar de Jesus, ele sempre tinha uma desculpa. E naquela hora, Lucas lembrou-se da frase que ele tanto ouvia nas missas que ele ia de domingo quando era mais jovem: “Não olhei os vossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja”. E Lucas caiu em arrependimento.

-“Entendeu agora porque está sendo injusto Lucas?” – Disse Pedro – “Sua vida inteira, você não teve tempo pra Jesus. Era sempre a mesma desculpa. E agora que Jesus está um pouco ocupado, você quer preferência.”
-“Um pecador quando se arrepende de coração, entendeu a importância de Jesus no mundo, entendeu que ele é o filho de Deus, e que se tivesse oportunidade, faria tudo diferente em sua vida.” – Continuou Pedro – “Agora você ficou em cima do muro a vida inteira. Não cometeu pecados. Mas também não pregou a palavra de Jesus. Não acreditou nele.”
-“Me perdoe...” – Diz Lucas com voz de arrependimento – “Agora entendi que não fui um bom cristão, nem um mal cristão. Eu não fui Cristão, essa é a verdade. Quero pedir perdão pra Jesus pessoalmente.”
-“Fico feliz de ouvir isso...” – Responde Pedro – “Feliz porque sinto que você se arrependeu de coração, e tenho a certeza que Jesus vai ficar feliz de ouvi-lo também. Daqui a pouco ele deve estar chegando.”
-“Vou esperar o tempo que for preciso.” – Disse Lucas indo se sentar novamente na cadeira em que estava.

De repente um apito. Como se sua senha fosse chamada. Só que parecia que o aparelho de senha estava quebrado, pois não parava de apitar.
Lucas não conseguia enxergar nada, sua vista estava embaçada. Conforme foi melhorando sua visão, Lucas percebeu que não estava mais naquela sala, e sim em um lugar conhecido. Estava em seu quarto. Na sua cama. Aquele ventilador de teto velho e empoeirado era inconfundível. Lucas estava sem entender nada, quando percebeu que o apito continuava. Era seu despertador. O relógio estava piscando como se tivesse sido desconfigurado com uma queda de energia. E a hora marcada era “00:02”.
Lucas levantou da cama e percebeu que mais do que um sonho, ele teve uma nova chance, uma nova vida pra falar sobre Jesus. E decidiu que a partir daquele momento iria se dedicar mais a “fé que anima a vossa Igreja”.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Ele é sua Salvação... você acredita ou não?




Eis aqui um homem que nasceu numa obscura aldeia;
Filho de uma simples camponesa.
Cresceu em outra humilde aldeia;
Trabalhou como modesto carpinteiro até os 30 anos.
Foi somente durante os três anos seguintes que pregou sua mensagem.
Nunca escreveu um livro.
Nunca exerceu qualquer cargo.
Nunca teve um lar.
Nunca constitui família.
Nunca freqüentou uma universidade.
Nunca a planta de seus pés pisaram uma grande cidade.
Nunca se distanciou mais de 300 km do povo onde nasceu.
Nunca fez alguma coisa que pudesse aparentar grandeza.
Suas credenciais eram a sua própria personalidade.
Nada teve em comum com este mundo, exceto o simples poder da sua singular humanidade.
Quando se fez conhecer, o ímpeto da opinião popular se voltou contra ele.
Seus amigos o negaram e abandonaram.
Um deles o traiu e o vendeu a seus inimigos.
Foi condenado mediante a farsa de um juízo simulado.
Foi cravado em uma cruz entre dois ladrões.
Enquanto morria, seus executores tiravam sorte sobre a única propriedade que tinha na terra – sua túnica.
Ao morrer foi enterrado em uma tumba emprestada por piedade de um amigo.

VINTE LONGOS SÉCULOS SÃO PASSADOS E HOJE, ELE É A PERSONALIDADE CENTRAL DA RAÇA HUMANA E LIDER DA CIVILIZAÇÃO MODERNA.

Todos os exércitos deste mundo,
Todas as frotas que já se construíram,
Todos os parlamentos que já se reuniram,
Assim como todos os reis que já reinaram,
Postos todos juntos,
Não influíram tão poderosamente na vida da humanidade como o fez esta vida singular...

JESUS CRISTO


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Viciante


Eu tinha aproximadamente uns 22 anos quando o conheci. Um amigo meu insistiu em apresentá-lo, e queria porque queria que eu experimentasse.
Sempre tive minhas opiniões próprias, nunca cai no conto do “Maria vai com as outras” e tudo o que fiz na minha vida foi por livre e espontânea vontade, e não seria dessa vez que eu iria experimentar algo por insistência dos outros.
Mas ele insistiu, e insistiu, e insistiu... Até que resolvi experimentar. No meu caso foi arrebatador. A Primeira vez que usei, eu já não queria mais ficar sem.
E não demorou muito pras pessoas perceberem. Tive uma grande mudança de comportamento em casa, mudei com meus amigos, e por causa disso alguns me viraram a cara. E eu não tinha vergonha nenhuma de dizer que estava gostando... e que queria mais e mais.
Com o tempo, não foi difícil fazer algumas pessoas experimentarem também! Pra algumas foi que nem no meu caso, arrebatador! Para outras, nem tanto. Talvez elas tenham experimentado com um certo receio de gostar, e não sentiram o verdadeiro gosto...
Fui conhecendo mais e mais pessoas que também gostavam, fomos trocando experiências, experimentando-o de formas diferentes.
Não tem explicação, sabe aquele vício em que você sabe que é viciado, mas não quer largar dele? Pois é, eu estou assim... depois que você experimenta o Espírito Santo, não quer mais viver sem...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Minha Primeira Experiência... simples assim.

Era um dia de semana qualquer, não me lembro o dia. Era por volta das nove horas da noite...
Ventava muito, o cheiro de chuva estava forte, mas não me preocupava. O Vento chacoalhava os galhos das árvores indicando que não seria somente uma chuvinha.
Eu estava no portão da casa da minha namorada, ela querendo que eu fosse embora o mais rápido possível, para não ser pego pela chuva na metade do caminho, já que eu estava a pé. Mas eu não queria ir embora, eu estava com raiva, tinha brigado com meu pai novamente, o que estava se tornando praxe. Não queria ir pra casa e ficar ouvindo ele falar, não queria vê-lo. Estava magoado, com o coração ferido, estava com ódio dele. Mas principalmente, com ódio da minha vida...
Mesmo assim, ela conseguiu me convencer a ir embora. Fui andando lentamente, pensando na minha vida, no inferno que ela tinha se tornado. Me questionava onde errei, o porque Deus tinha feito tudo aquilo com minha família, naquele momento por um instante pensei: “Deus não existe”.
O vento soprava cada vez mais forte, o povo corria desesperado procurando algum lugar pra se esconder, a chuva anunciada estava prestes a chegar, e eu andando calmamente, revoltado com a vida. Foi quando disse a mim mesmo: “Se eu não correr também, chegarei em casa ensopado”. Foi quando me deu um estalo! Senti uma forte presença do meu lado, e uma voz soprou ao meu ouvido: “Não corra, eu te protegerei”. Naquele mesmo momento me veio uma imagem aos meus olhos, eu andando pelas ruas e uma mão sobre meu corpo me protegendo da chuva. Fiquei assustado...
Comecei ouvir alguns pingos nos telhados das casas, o barulho começou a se tornar cada vez mais forte, dando o sinal de que a chuva finalmente chegou, era questão de minutos, ou segundos para que o Temporal começasse.
Mesmo assim ainda estava muito mais assustado com aquela situação. Estou ouvindo vozes? Pensei que poderia estar ficando louco, e naquele momento decidi correr da chuva que chegava, porém novamente a imagem aos meus olhos e aquela voz dizendo: “Confie em mim, não corra...”
Eu não sabia o que fazer. A Chuva chegando, e eu tomado por aquela situação, poderia estar imaginando tudo... mas e se não estivesse? E se fosse verdade?? Nessa altura, já estava na esquina da rua onde moro, faltava mais alguns metros pra que eu chegasse em casa seco, e sem correr... Mas a chuva ainda não tinha caído, o que me deixava em dúvida sobre o que passei.
Ao chegar na metade da rua, faltando um pouco mais de 200 metros pra minha casa, ouço um barulho forte, tipo de chuva, olhei pra trás e vejo a chuva vindo, descendo minha rua. Era aquelas chuvas de vento que da pra você ver o asfalto sendo molhado como se fosse uma nuvem caminhando por ele.
Na hora pensei em correr, mas dessa vez mais forte a imagem veio a minha cabeça, só que dessa vez, acima da mão me protegendo, tinha uma pessoa, que lembrava Nossa Senhora Aparecida. E a voz novamente disse: “Não corras, vá andando que chegarás a tempo...”.
Não sei o porquê, mesmo com medo, resolvi andar e não correr. Eu estava muito próximo da minha casa, mas sentia que a chuva me alcançaria. Finalmente cheguei a frente da minha casa, não consegui olhar pro lado... Apenas abri o portão e entrei.
Assim que entrei no meu quintal que é coberto, não tive tempo de fechar o portão e a chuva passou molhando tudo. Menos eu. Naquela hora fiquei assustado, mas senti uma paz de espírito enorme...
Naquele momento Deus respondeu minha frase quando disse: “Deus não existe”, e percebi que precisava de Deus na minha vida.
Foi em uma simples chuva de verão, em algo tão pequeno, que Jesus tocou meu coração pela primeira vez... e que minha vida começou a mudar.
Simples assim.



quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Eternos... - Por Alessandro




Temos este poder. O poder de dar significado ás pessoas que amamos. O poder de tirá-las do meio da multidão e ajudá-las fraternalmente.”
Gabriel Chalita



Pessoas, complexas, paranóicas e paradoxas. Talvez não haja algo maior, pessoas que são retiradas do meio da multidão e ganham sentido, sentido real, perto do sagrado.

Falo de duas vidas que vieram me encontrar no meio do caminho, que não viram o externo, mas conseguiram enxergar no mais profundo silêncio, algo em que confiar.

Estamos livres, mas sozinhos
Diz à canção que teimo em tentar interpretar sem falhas para que o Complexo não pegue no meu pé, mas o que mais me chama atenção é sua dedicação com seu sonho, de fazer o que lhe dá real alegria nessa vida. Complexo se diz uma pessoa sem dons, o que fielmente teimo em dizer que é besteira. Com determinada maestria, Complexo consegue tirar de seu instrumento as notas das canções que um dia nos fizeram pensar: “Por que estamos aqui"? “Há sentido em toda a dor que vivemos"? “Pessoas são importantes” “Hoje a gente pode chorar, mas não vamos desistir de viver”. As qualidades do Complexo se mostram para nós quando menos esperamos, em um momento de silêncio sua voz quebra o hiato das vozes e nos presenteia com aquilo que necessitamos ouvir.
O Complexo ainda se perde em seus próprios questionamentos, acha de modo firme que a vida não o sorriu, acha que a chance de viver o sonho nunca foi real. Gostaria de dizer pra ele que “os sonhos são o espelho da alma que se ele duvida disso que ande pelas ruas e se não encontrar uma pessoa se quer que tenha um sonho, desista de fazer o que ama, mas se um olhar sincero lhe disser que dentro dele há uma vontade... Vá! Esse mundo é feito de esperança, tudo o que já foi feito nas nossas eras foi criado a partir de uma centelha de esperança, VOCÊ é feito de esperança, nada pode tirar isso de você... só você mesmo”.
Complexo guarda em si o dom do conselho, aquela sabedoria que vem dos Céus, porque almeja incessantemente estar em ligação com o Sagrado, procura seu Deus em cada ato, em cada nota que possa a criar ou não, se perde em seu “universo” criando formas e mais formas de louvar seu Criador, talvez isso me chame atenção... Complexo junta em si mesmo aquilo que ama fazer com aquilo que dá razão a sua existência. Bem-sucedido, não deixa que tudo o que conquistou tome o lugar daquilo que o mantêm de pé: Sua fé.
Acredita, num mundo em que as pessoas perdem a fé em si mesma, que existe algo maior, que rege e governa nossas vidas. Complexo, como sua própria natureza nos mostra, parece ser ao mesmo tempo simples como a canção que diz “eu desabo quando me calo”. E realmente desabo quando me calo para ouvir as palavras de Complexo, que me trazem a realidade, que me diz que não adianta ser verborrágico, pois a essência de ser sábio reside no falar o necessário. Necessário. Essa talvez seja a palavra de defina o Complexo na minha vida, pois como irmão, tenho a singela idéia que existir reside no outro, e cada vez que vejo Complexo mais tenho certeza... Grande pessoa... Grande esperança... Ele é a extensão daquilo que não tenho em mim, mas que nos mantêm unidos por teias invisíveis.


Senhor, o que queres de mim?”
Essa é a pergunta de paranóico a cada dia, se perde em questionamentos, razões e incertezas na vida que o cerca. Paranóico é elétrico, não para um segundo, tem lampejos de idéias tão quanto pode piscar seus olhos, ainda assim me admiro como consegue fazer mais de três coisas ao mesmo tempo sem perder o foco. Paranóico tem o dom da caridade, sem olhar a quem, faz o que pode e o que não pode pra ver seus amados felizes, doa, compra, liga e manda mensagem, está presente mesmo estando longe. Paranóico diz a si mesmo que tem que estar presente, fazer parte da vida de seus amados... E o faz... Grandemente. Você não esquece paranóico nunca, nem quando dorme, ele cerca sua vida de tal forma que cada coisa que vê vai remeter á sua imagem meio adulta, meio criança. Ele tem a essência daquela criança que nossos anos fizeram por retrair, com o peso das responsabilidades, mas ele guarda a energia do riso, da piada, do descompromisso.
Não há compromisso de paranóico nos ligar, mas liga, nem de mandar mensagem, mas manda. Perdido no seu universo de duvidas, questionamentos e verdades, o paranóico mostra sua “paranóia” de ser presente, de estar junto. Sempre digo que “o mais importante nessa vida não é estar perto, é estar junto”, e ele o faz com perfeição, junto em cada momento paranóico mantêm leve qualquer fardo que possamos levar. “Onde você estiver estarei, esperando que esteja me esperando também, e saiba que sim, eu sou seu amigo, pra sempre amigo
Essa é a frase que vem á minha cabeça quando penso em paranóico, vou com ele aonde for como for, pra que quer que for, pois paranóico teve a coragem de olhar e “enxergar” o que havia em mim. Ele ainda insiste em dizer que vê Deus em todos os meus atos, que consegue enxergar uma ponta divina nas frestas da minha imperfeição. Paranóico e ligado em tudo o que acontece no mundo, vê e entende cada coisa que não tenho o dom de acompanhar, divaga pela economia, fala do mercado financeiro e ainda insiste em torcer pelo velho time do Litoral. Família é tradução de paranóico, por essa qualidade me sinto abraçado pela sua família e paranóico me corrige em cada vez que insisto em chamá-lo de amigo, franze o cenho e diz sério olhando em meus olhos “Você é meu irmão”.
Paranóico, é risada, brincadeira, acima de tudo cerca seus amados com a responsabilidade de um pai, mais coração que razão, paranóico primeiro age depois pensa, e isso o faz tão especial, tão sagrado diante meus olhos. Ele também é a síntese daquilo que não tenho em mim, mas as teias invisíveis continuam trabalhando e nos mantendo conectados.


Quero cantar o que vivo, quero viver o canto
Paradoxo não nasceu pra este mundo, rápido conectado, inconsistente como as relações que se findam e recomeçam a cada dia. Paradoxo ainda tem seus laços no passado onde você valia pelo o que você era, e não pelo o que tem.
Não entende a “liquidez” das relações que evapora com o calor das paixões, onde tudo o que pode ser prometido pode ser deixado num instante pra outro. Vai à contrapartida do “quero viver o presente”, pois crê firmemente que razão de sermos quem somos hoje está ligada a quem fomos antes, nas sementes que plantamos. Não acredita na superficialidade das relações “quem vê o outro deve vê-lo inteiro, ainda como parte de si”. Rigoroso, faz a acepção de pessoas, daquelas que podem e não podem rodear seus dias, mas neste pensamento peca no maior mandamento “Amai uns aos outros como eu vos amei”. Paradoxo é verborrágico, fala pelos cotovelos, se indigna, revolta com aqueles que diminuem os outros por tentarem mostrar os seus dons. Vai à via contrária das opiniões, questiona qualquer modismo, não compreende como as pessoas podem hoje ser importantes e amanhã, descartáveis.
Paradoxo, antes de acreditar em si, prefere ter sua fé nas pessoas, julga seu bem mais importante, as pessoas que o cercam, que talvez não sejam muitas, mas exageradamente especiais. Nega sua inteligência em cada ato, esconde qualquer dom que possa fazê-lo em algum momento singular. Não tem os olhos ávidos por reconhecimento, ainda prefere passar despercebido no meio da multidão. Articulado, consegue falar de tudo e de todos, mas a coisa mais difícil é falar de si mesmo. Sente saudade “daquilo que ainda não viu”, ainda, cria um universo artificial e tenta se isolar da maldade humana, nesta sua fuga, refugia dentro de si mesmo onde as canções que louvam um Grande Rei o fazem acreditar que um dia toda dor cessará e não haverá caídos pelo caminho. Que nem a noite poderá dizer aos aflitos, que os sonhos se findam no cair da madrugada. Sonha e sonha mais embalado nas canções, chora a perda daquilo que já se foi, daqueles que crê radicalmente que não morreram, apenas foram devolvidos ao seu Criador. “A razão de existir reside no outro”, por isso se mantêm ligado ao Complexo e ao Paranóico, nas piadas, brincadeiras e projetos inacabados, reza em silêncio que percebam o quanto são importantes, parte indelével de sua existência.
Eternos... Três existências que foram tiradas do meio da multidão e ganharam significado, “a teia invisível” talvez seja aquele homem que mesmo simples e pobre se tornou Rei, que mesmo sendo Deus, não o foi quando Seu Pai o entregou em sacrifício. Que mostrou que ainda que o Salvador fosse imolado, Seu sangue fosse aspergido pra que os pecados fossem espiados, a esperança sempre vencerá o medo.
Essas pessoas com qualidades expressamente diversas, existências singularmente preciosas, desafiarão o tempo e o espaço porque mesmo que se findem suas vidas a memória vai permanecer, se um se for, o outro sempre se lembrará da existência que um dia floreou sua vida com a alegria, com coragem, sabedoria, e doação.
A eternidade está posta naquele silêncio que permeia, Complexo, Paranóico e Paradoxo, e um olhando pro rosto do outro a nítida verdade não é dita, mas paira sobre suas cabeças “tu não morrerás jamais”.
Gabriel Marcel, filósofo disse que “as pessoas que são retiradas da multidão e ganham sentido” devem ser olhadas nos olhos e nesse olhar deve se traduzir o “tu não morrerás jamais”, pois na verdade nem o tempo poderá apagar a memória dos três irmãos, ligados pela teia invisível do Grande Rei, são vidas distintas, mas singularmente semelhantes.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Complexo, o Paradoxo e o Paranóico.

Era uma vez três porquinhos... três? Poderia ser mais, muito mais, mas esse numeral está de bom tamanho.
O complexo tinha numerosos talentos, mas a vida não lhe sorriu. Tentou por diversas vezes fazer o que gosta, mas isso, nos dias de hoje é clichê, pois todos gostam da mesma coisa monetária, por sua vez achou melhor se fechar numa casinha de palha.
O paradoxo estava cansado de tentar ser a verdade, e não se dava conta de que a verdade não deveria “ser”, e sim “ter”. Tinha tudo, e não tinha nada, pois contradizendo a estatística foi em busca de conhecimento. Inteligente achou melhor se refugiar numa casa de pau.
O paranóico acordou, em suma verdade ele nem se quer dormiu, não se vê com talentos, não se sente inteligente, nem se quer quer viver, e nem sabe se está vivo. Ora, despertou com um telefonema de alerta e fez ligação de amor, porém, atraiu desconfiança, em meio a correria diária ele se sente num mar de melancolia e monotonia, tinha tudo para se trancar numa casa de tijolos, porém, está diante de uma folha em branco tentando descrever o que sente, tentando resumir em linhas a sua vida... O seu desânimo. Sim, ele estava inquieto na sua cama e resolveu gritar!
Buscarei algo no passado: Maria (virgem santa) por sua vez exclamou: “Eis-me aqui Senhor! Sou tua serva!” Isso ocorreu (eu creio!) no dia em que se deparou com uma gravidez sem o ato sexual. José (patrono) refletiu: “Minha futura esposa está grávida e se diz virgem. Como vou andar de cabeça erguida? Em verdade, eu acredito e seguirei em frente, estarei junto a ela pro que der e vier.”
Que baita loucura, ou melhor dizendo, que fé! Jesus (Cristo = O messias) viveu sua vida sob olhares desconfiados e na hora de sua morte disse: “Pai, seja feito a sua vontade!”
No cotidiano shakespeariano: "Crer ou não crer, eis a questão... Sendo assim, quem sois vós para questionar algo? Quem sois vós para desanimar diante de tudo? Quem sois vós para não ter fé?
Credes no pai? Credes no filho? Ou credes no espírito santo? Melhor dizendo: CREDES EM VÓS?
O que une o complexo, o paradoxo e o paranóico é algo puro e verdadeiro, é a inquietude da alma: “Senhor o que queres de mim? Qual a sua vontade?”
Viver?
Não sei... Mas seguirei em frente!

domingo, 2 de janeiro de 2011

Porque Cantar pra Deus - Por Alessandro

"Quem levará a arca?? Quem subirá no Monte do Senhor, para O adorar? Eu levarei a Arca... Subirei no Monte Santo do Senhor para Adorá-lo”.



Porque Cantar pra Deus?
Porque eu preciso dar Glória a todo o momento. Não somente pela minha vida, mas pelas vidas das pessoas que me cercam... Até por aqueles que não me cercam.
Preciso ser uma voz, que vai juntando com outras e fazemos um coro... Gritando pela misericórdia divina. E ela vai nos alcançar.
Porque tudo o que eu vivi até esse momento me levou a tomar essa decisão, e mesmo que seja árdua e difícil vou poder contar com duas pessoas especiais nos momentos difíceis...
Canto pra Deus por que com isso sei que posso dizer que há sentido, pra continuar, pois é uma causa maior do que eu. Canto porque sempre disse que “O homem precisa crer em alguma coisa que enobreça a sua alma, que faça seus dias sublimes”.
Canto porque tenho que me "Vestir com o amor, que é o laço da perfeição". Mas não o amor mortal, mas o amor que vem do Pai, que com toda Sua sabedoria, não pode ser menos que perfeito.
Canto porque neste momento sei que Ele me ouve, e mesmo sendo falho consigo tocar, nem que seja por um segundo na sua perfeição.
Não será fácil adorar o meu Rei, mas não posso desistir muito antes de tentar, e nem depois disso.
A música abaixo reflete essa mensagem:





 
"Vai ficar ou vai correr, vai salvar ou esquecer?"
 Rosa de Saron

Alessandro (Kbeça)